quinta-feira, 8 de março de 2012

DR. ADALBERTO TARGINO FALA SOBRE A MULHER EM TRÊS BELOS ARTIGOS.

DR. ADALBERTO TARGINO

MULHERES NO PODER
*Adalberto Targino

Numa análise, mesmo perfunctória, da história da humanidade, ver-se-á a força da mulher influenciando, inspirando e decidindo o destino do mundo, desde épocas mais remotas.
Alguns não afeitos à historiografia universal, vêem como fenômeno raro a recente ascensão de Ellen Johnson-Sirleaf ao cargo de Presidente da Libéria (a primeira mulher eleita para o posto em todo Continente Africano), e a vitória política da médica Michele Bachelet à função de Mandatária Suprema da República do Chile. Esta última, com profundas raízes socialistas, fez brilhante e meteórica carreira, desde Ministra da Saúde ao inimaginável cargo de Ministra da Defesa, até tornar-se a primeira mulher a assumir a Presidência da República de um país latino-americano sem estar à sombra de um marido ou pai poderoso, mas como reflexo do seu próprio brilho, liderança e capacidade.
Em novembro/2005, a maior economia da Europa, a poderosa e temida Alemanha, passou a ser governada pela Primeira-Ministra Ângela Merkel, única mulher a governar um dos países mais beligerantes do mundo.
O pseudo-sexo frágil, espraiou o seu poder de mando pelo mundo afora. No Brasil, destacam-se a Presidente da República (pioniera) Dilma Rousseff, Ministra do STF Ellen Gracie (a primeira), Ministra do STF Carmem Lucia (pioneira como Presidente do TSE), Ministra do STJ Eliana Calmon Alves (Corregedora-Geral do CNJ), Controladora Geral da União Anadir Mendonça (no Governo do Presidente Fernando Henrique), Senadora Gleisi Hoffmann (Ministra-Chefe da Casa Civil), além de diversas Governadoras, Senadoras, Deputadas, Ministras de Estado e Desembargadoras. Na vizinha Argentina, os cargos fundamentais do Governo do Presidente Néstor Kirchner foram entregues a Felisa Miceli (Ministra da Economia), Nilda Garré (Ministra da Defesa), Alicia Kirchner (Ministra do Desenvolvimento Social), enquanto atualmente a Presidência da República é exercida por Cristina Kirchner. A Inglaterra, exemplo de força militar e de conservadorismo político-social, é comandada pela Rainha Elisabeth que recebe, nos bastidores, a influência da ex-dama-de-ferro Margaret Thatcher.
O tempo, por sua vez, trama a favor do domínio feminino: a médio prazo, assumirá o poder máximo do império japonês a princesa Aiko e o trono da Noruega a princesa Ingrid.
Mesmo os fechados e machistas regimes muçulmanos, cederam à inteligência e sensibilidade de mulheres excepcionais que se tornaram governantes, lideres, rainhas e princesas, a exemplo de Benazir Bhutto no Pasquitão, Tansu Ciller na Turquia e Khaleda Zia em Bangladesh.
A despeito de todas as formas de exploração e dominação do mundo árabe-persa, as mulheres conquistaram o direito de votar na Turquia, Egito e até no engessado Irã. A conquista do poder político será inevitável, especialmente com a ampliação dos espaços democráticos, que tendem a substituir as já combalidas ditaduras e monarquias absolutistas do Oriente Médio.
Por mais que queiram, alguns, obscurecer o brilho e pujança de inefáveis mulheres, como as já mencionadas, jamais serão sepultados os primorosos labores e exemplos dignificantes de baluartes como Golda Meyr (braço forte na criação e governo de Israel), Madre Tereza de Calcutá (porto seguro dos desamparados e desvalidos da sorte) e Indira Gandhi (consolidadora da democracia e do respeito internacional da Índia).
O que seria feito do destino dos Estados Unidos se não fosse a abnegação de mulheres como a jornalista Jacqueline Kennedy, a advogada Hillary Clinton e a diplomata Condolezza Rice?
Nessa cordilheira, seguem majestosas, mulheres como Joana D’arc, Evita Perón, Maria Madalena, Simmone de Bevouir, Anita Garibaldi, princesa Isabel, Raquel de Queiroz e tantas outras que ajudaram a mudar a face da terra e o destino da humanidade.

* O autor é Procurador do Estado e membro catedrático da Academia Brasileira de Ciências Morais e Políticas.
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MULHER: MUSA E COMPANHEIRA

*Adalberto Targino

O pensamento “por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher”, retrata uma realidade comprovada, aqui e alhures. É, igualmente, verdade que na vida de um homem infeliz, perplexo com a existência, mal sucedido no campo social e profissional, há quase sempre uma mulher que lhe inferniza a vida, lhe corrói a alma e lhe debilita a inteligência e a fonte energética da existência.
Sem dúvida, não há gigante nem pigmeu que resista à força interior e intuitiva de uma mulher; a sua beleza (física e intelectual), a sua sensibilidade, mesmo sem ser Dalila ou Cleópatra, poderá domar, persuadir e dirigir as decisões e criatividade dos poetas, músicos e compositores e até dos Sansões e Césares do mundo moderno.
Neste universo, basta que se folheiem as páginas da história; a mulher tem motivado guerras e trazido a paz e, principalmente, inspirado gênios nas suas monumentais obras de arte e criações literárias...
Tem sido a musa inspiradora, sem a qual o espírito criador não é provocado. A colaboração dela não é somente de ordem material, mas, essencialmente, de natureza afetiva e emocional. “É o agente provocador do gênio artístico”: sem ela as grandes obras não seriam tão magníficas e imorredouras, porque elas, quase sempre, são realizadas no arrebatamento das grandes paixões, no êxtase frutificador dos verdadeiros amantes ou na quietude do lar.
Dentre tantos gênios motivados pela sensibilidade feminina, descarei Beethoven que, quando se enamora de Julieta Guicciardi, compõe a “Sonata”, Op. 27; depois de apaixonar-se por Josefina Brunswick nos presenteia com a transcendental 3ª Sinfonia, “A Heróica”, a 4ª Sinfonia e a Sonata Op. 57, “Apaixonada”, a 5ª e a 6ª Sinfonia, “A Pastoral”, ainda o iluminado mestre, depois de ligar-se a Betina Bretano, nos brinda com a 7ª Sinfonia, “Dança”, bem como a “Sonata a Kreutzer”.
O que dizer das inspiradas composições do sempre aplaudido Roberto Carlos sem o anteparo de suas companheiras Nice e Maria Rita? E o nossos poetas Vinícius de Moraes, Junqueira Freire com os seus inúmeros amores e até Olavo Bilac com as suas paixões platônicas?
Dessa relação imensurável, figuram pensadores de todas as matizes e nacionalidades, como, por exemplo, Franz Liszt que, unindo-se à condessa de Agoult, compõe grandes obras e, posteriormente, em Weimar, na companhia da princesa de Wittgenstein, cria “O Tasso”, “Os Prelúdios”; e Chopin, com os seus romances pouco convencionais, também produziu músicas eternas.
Os poetas, por serem profundamente sensíveis e terem no amor, no sofrimento e na paixão, o alimento maior de suas inspirações, como já foi dito, não fugiram à regra: a mulher é o horizonte, a fonte, o símbolo dos mais belos poemas, sonetos e quadras dos maiores e melhores vates, repentistas e menestréis. Aí inserem-se Dante, cujo amor por Beatriz, fortaleceu o seu gênio poético, “Dama Ditosa” que o marcou aos nove anos e que, falecida, foi reencontrada, em “Vita Nuova” e na “Divina Comédia”. Goeth, que se inspirou em várias mulheres, dentre as quais, Lili Schônemann e Charlotte de Stein. Como revelam “Os Sofrimentos do Jovem Werther” e outras manifestações pessoais e literárias do inimitável vate. Além desses exemplos universais, tivemos, no Brasil, o paradigma de amor-paixão vivido pelo condoreiro Castro Alves que, sem a sua musa Eugênia Câmara, pouco teria produzido para a literatura brasileira.
É inegável a contribuição da mulher na formação do imenso e fulgurante patrimônio artístico, de imensurável valor estético, histórico e cultural, existente no Brasil e no mundo, como a apoteótica beleza do arco-íris, a marcar o tempo não pelas datas, mas pelas mulheres que viveram em cada tempo.
Enfim, para se ter uma idéia da influência (boa ou má – não importa!) da mulher na vida dos artistas, pensadores, líderes, basta que se leia a biografia dos artistas mencionados ou de Rousseau, Sartre, Victor Hugo, Rui Barbosa, Getúlio Vargas, Akinaton, Roosevelt, Hitler, Napoleão, Sansão, Shakespeare, Davi, Salomão, Júlio César, Sócrates, Montaigne, Camões, Schopenhauer, Kubitschek, Perón, Pedro I e as iluminadas palavras do genial Gibran ao escrever para Mary Haskell: “Tantos homens perecem por lhes faltar alguém como tu para salvá-los”. Ainda o insigne pensador oriental, ao sentir tempestuosa paixão por Micheline, embora com separação e sofrimento, foi quando produziu os mais belos pensamentos sobre o amor, como este, contido no seu mais famoso livro, “O Profeta”: “quando o amor vos chamar, segui-o, embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos”.

*O autor é Procurador do Estado, e membro catedrático da Academia Brasileira de Ciências Morais e Políticas.
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MÃE DOS BRASILEIROS
*Adalberto Targino

A severa e desapaixonada análise da história mostra a grandeza dessa personalidade brasileira que foi Ana Néri, símbolo de coragem, desprendimento e nobreza de caráter.
Ana Justina Ferreira Néri nasceu em 1814, na Bahia, e pertencia a uma família de patriotas legítimos. Viúva do Capitão-de-Fragata Isidoro Antonio Néri, era irmã de dois tenentes coronéis e mãe de três filhos, participantes voluntários da Guerra do Paraguai.
Quando irrompeu a guerra, Ana Néri, dotada de elevado sentimento cívico, acompanhou seus filhos e demais parentes, partindo para os acampamentos brasileiros. Surgia a nossa primeira enfermeira voluntária!
Por cinco anos esteve ao lado dos nossos exércitos, servindo a Pátria, remediando a dor, consolando feridos, doentes e moribundo, praticando o bem num admirável sacrifício de si mesma. Foi sempre a imagem da caridade nos hospitais de sangue e também na enfermaria criada em sua residência, às próprias expensas.
Dia e noite ao lado dos feridos, a desrespeito do luto pela perda de um dos filhos, tornou-se uma heroína e foi proclamada pelo exército de bravos: Mãe dos Brasileiros.
De volta ao Brasil foi condecorada pelo governo imperial com as medalhas “Humanitárias” e de “Campanha” e muitas homenagens foram e têm sido prestadas a essa heroína que cumpriu a jura patriótica de só abandonar os campos de batalha depois da derrota do inimigo.
Falecida aos 20 de maio de 1880, no Rio de Janeiro, com 66 anos, ficou internacionalmente conhecida como Precursora da Cruz Vermelha.
Essa admirável mulher conquistou a glória como esposa, mãe e provou o seu valor nos campos de batalha, sem empunhar armas, apenas pela caridade aliada ao civismo. É, hoje, o exemplo maior e mais respeitável, não para uma determinada casta agressiva de feministas nem para a passividade e frivolidade de certas femininas, mas para as mulheres dinâmicas, puras de espírito e participativas da problemática cívico-cultural-familiar, como um facho de luz e esperança daquela que antes de mulher, soube ser uma santa à serviço do povo e da nação brasileira.
Afinal, a uma pessoa de fibra rara e de idealismo divinal como Ana Neri, nada significava a liturgia, a propaganda espalhafatosa e a ritualística de fachada ideológica, político-partidária ou religiosa, mas apenas o benefício real e infungível ao ser humano. Agia grandiosamente e sacrossantamente, como preconizava o filósofo francês Blaise Pascal: “em uma grande alma tudo é grande” ou como Fernando Pessoa: “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.
Em suma: Ana Néri foi, é e sempre será um referencial feminino e paradigma de dignidade e abnegação. Um exemplo às grandes almas – de qualquer sexo que dão tudo de si para servir ao próximo sem esperar recompensa ou retribuição.

* o autor é Procurador do Estado e membro catedrático da Academia Brasileira de Ciências Morais e Políticas.

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