sábado, 25 de maio de 2013

ENCONTRO COM A POESIA - INTERLÚDIO I - POR HORÁCIO PAIVA.

HORÁCIO PAIVA


ENCONTRO COM A POESIA - INTERLÚDIO (I)
 (Por Horácio Paiva)

 TRÊS SONETOS RENASCENTISTAS FRANCESES 

 Na sequência das citações e arquivos apresentados, notadamente sobre o neoclássico Camões e o clássico latino Horácio (e a sua filosofia do carpe diem e do vivere in aurea mediocritate), trago estes três belos e sugestivos sonetos (um deles, o de Ronsard, célebre, muito reproduzido e comentado ao longo dos anos) de expoentes do renascimento literário francês, em magnífica tradução de Guilherme de Almeida, casando-os com os textos já mencionados: 

 PIERRE DE RONSARD (1524-1585) SONETO A HELENA 
 Quando fores bem velha, à noite, à luz da vela,
 Junto ao fogo do lar, dobando o fio e fiando, 
 Dirás, ao recitar meus versos e pasmando:
 Ronsard me celebrou no tempo em que fui bela.

 E entre as servas então não há de haver aquela
 Que, já sob o labor do dia dormitando, 
 Se o meu nome escutar não vá logo acordando 
 E abençoando o esplendor que o teu nome revela. 

Sob a terra eu irei, fantasma silencioso, 
 Entre as sombras sem fim procurando repouso:
 E em tua casa irás, velhinha combalida, 

 Chorando o meu amor e o teu cruel desdém
. Vive sem esperar pelo dia que vem; 
 Colhe hoje, desde já, colhe as rosas da vida. 

 JOACHIM DU BELLAY (1522-1560) SONETO PIERRE DE RONSARD (1524-1585)

 SONETO A HELENA 

 Quando fores bem velha, 
à noite, à luz da vela,
 Junto ao fogo do lar, dobando o fio e fiando,
 Dirás, ao recitar meus versos e pasmando:

 Ronsard me celebrou no tempo em que fui bela
. E entre as servas então não há de haver aquela
 Que, já sob o labor do dia dormitando,
 Se o meu nome escutar não vá logo acordando

 E abençoando o esplendor que o teu nome revela.
 Sob a terra eu irei, fantasma silencioso,
 Entre as sombras sem fim procurando repouso: 

 E em tua casa irás, velhinha combalida,
 Chorando o meu amor e o teu cruel desdém.
 Vive sem esperar pelo dia que vem;
Colhe hoje, desde já, colhe as rosas da vida. 

JOACHIM DU BELLAY (1522-1560) SONETO

FAUSTO GOSSON: UM ANO DE SAUDADES - POR EDUARDO ANTÔNIO GOSSON.


EDUARDO ANTONIO GOSSON
FAUSTO GOSSON
FAUSTO GOSSON: UM ANO DE SAUDADES

 Eduardo Gosson* (In memoriam de FAUSTO GOSSON e demais membros da família)

 “E sobretudo não me esqueças, No taxi Na missa dominical, Em outra esfera sideral” (Bosco Lopes) Meu querido Fausto faz um ano que tu resolveste nos deixar, indo em direção à outras paisagens, porque sabias que a nossa cidade está nos céus e a Verdade em Jesus Cristo, o Salvador. Tu que eras puro e amava a Justiça este mundo tinha pressa em matar-te, conforme afirmou Ernest Hemingway em Por quem os sinos dobram? E tu amavas as coisas belas: os animais, as crianças e os velhinhos. Quanto vezes te vi ajudando os idosos atravessarem uma avenida perigosa. Trazias a bondade em si e distribuías uma porção em cada beco e ruas desta cidade do Sol. Sua vida foi curta e trágica. No texto bíblico, em Primeira Epístola do apóstolo Paulo aos Coríntios I, capítulo 13, versículo 1, encontras: “Ainda que eu falassem as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine” Agora, como forma de amenizar a dor da separação, escrevo essa crônica em memória de ti e dos demais membros da família Gosson que tomaram a Nau da Eternidade: Sofia Hamaney Gosson(1961-avó) Antônio José Gosson (1962-avô), Elias Antonio Gosson (1990-pai), Francisco Antonio Gosson(1996-tio), Humilase Gosson(2002-tia), Jamyles Gosson (2011-tia), José Gosson(2011-tio), Jorge Gosson(2011-tio) e Fausto Gosson(2012-filho).
 Eu não sabia que doía tanto! 

Eduardo Gosson 
*É presidente da UBE-RN

. Perdeu em 26.05.2012 o filho Fausto, vítima de uma overdose de cocaína.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

CARTA AOS DIRETORES, CONFRADES E CONFREIRAS DA UBE E AMIGOS - POR EDUARDO GOSSON - PRESIDENTE DA UBE/RN.



CARTA AOS DIRETORES, CONFRADES E CONFREIRAS DA UBE E AMIGOS

 Prezados Amigos: 

 Venho comunicar-lhe que este ano ainda está sendo muito difícil para mim:sérios problemas financeiros e familiares. O outro meu filho THIAGO não deixou as drogas e esta semana passou mal; se eu não tomar medidas fortes e urgentes, com certeza, perderei mais um filho. Neste sentido, após o lançamento do livro de MANOEL MARQUES agora no dia 28, faremos uma reunião da Diretoria para discutirmos algumas alterações na programação até o final do ano: fica mantido o plano editorial, o lançamento da revista da UBE,o processo eleitoral. Fica suspenso o VI EPE (tenho sugestão de sócios que os Encontros devem será cada dois anos). 

 Até breve, 

 Eduardo Gosson
Presidente da UBE/RN

terça-feira, 21 de maio de 2013

SOLENIDADE DE ENTREGA DO BOLETIM OFICIAL DA ALANE DURANTE ESSES NOVE ANOS DE ATIVDADES.


DR. RICARDO BEZERRA - PRESIDENTE 


BOLETIM 

 O Presidente da Academia de Letras e Artes do Nordeste – Núcleo da Paraíba (ALANE) tem a honra de apresentar o Boletim Informativo da Sessão de Homenagem ao 9º ANIVERSÁRIO DA ALANE/PB - que ocorreu no dia 09 de Maio de 2013, às 17:00 horas, na sede da Instituição na Praça Dom Adauto, nº 13 (Centro Cultural Joacil de Brito Pereira), Centro, João Pessoa, Paraíba. 

 Ricardo Tadeu Feitosa Bezerra 
Presidente da ALANE

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 Historiador Adauto Ramos representando o Instituto Histórico e Geográfico Paraibano; Dr. José Eymard, Presidente da Academia Paraibana de Mediciana; Escritor Melchiades Montenegro Filho, Presidente da Academia de Letras e Artes do Nordeste - Pernambuco; Escritor Ricardo Bezerra, Presidente da ALANE/PB; Escritora Sônia Freyre, Presidente da Fundação Gilberto Freyre; Escritor Damião Ramos Cavalcanti, Presidente da Academia Paraibana de Letras; e, Jornalista Alarico Correia Neto, representando o Jornal A UNIÃO.


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EVA MARIA DE PONTES LIMA TAVARES DE FARIAS
EXECUÇÃO DO HINO NACIONAL com Oboé



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A Novel Acadêmica Marinalva Freire da Silva sendo conduzida pelos Acadêmicos Marco Di Aurélio, Jairo Rangel Targiino e Guilherme da Silveira S’Avila Lins.
Jornalista Alarico Correia Neto recebendo do Vereador Lucas de Brito Pereira o Diploma de Mérito Cultural pelos 120 anos do Jornal A UNIÃO.

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Lançamento do Edital de Vacância da Cadeira nº 13.
Escritor Damião Ramos Cavalcanti, Presidente da Academia Paraibana de Letras, entregando Diploma de Mérito Cultural ao Escritor Melchiades Montenegro Filho.
Acadêmica Neide de Medeiros Santos prestando homenagem aos ex-presidentes Joacil de Brito Pereira, Joaquim Osterne Carneiro e Maria do Socorro Silva Aragão.

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GALERIA dos EX-PRESIDENTES

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Acadêmicos Guilherme da Silveira D’Avila Lins, Ricardo Bezerra, Marinalva Freire da Silva, Homenageado Melchiades Montenegro, Jairo Rangel Targiino, Natércia Suassuna, Viomar Sá Leitão, Neide Medeiros Santos, Ana Izabel de Souza Leão Andrade e Marco Di Aurélio.

PALESTRANTE e HOMENAGEADO

MELCHIADES MONTENEGRO FILHO
Pernambucano, Geógrafo. Artigos, contos, poemas e livros publicados desde o ano de 1973. Atual presidente, (biênio 2012/2013) da Academia de Letras e Artes do Nordeste Brasileiro – ALANE, acadêmico da Academia de Artes e Letras de Pernambuco – AALP, da Academia de Artes, Letras e Ciências de Olinda – AALCO e da Academia de Triunfense de Letras e Artes - ATLA.Vice-Presidente da União Brasileira de Escritores – UBE (biênio 2013/2014); Secretário Geral da Associação Brasileira de Engenheiros Escritores - ABRAEE. Associado da UBE. Secretário da Ordem do Mérito Literário JORGE DE ALBUQUERQUE COELHO e Coordenador do Seminário de Historiologia Pernambucana da UBE. Conselheiro da FUNDAÇÃO GILBERTO FREYRE. “Responsável pela coluna “Fatos Esquecidos da Nossa História” e Vultos Esquecidos da Nossa História” do Jornal Ponto de Encontro, responsável pela coluna “Pernambuco Histórico”do Jornal da Editora Novo Horizonte, além de inúmeros artigos publicados nos jornais do Recife - PE. Artista Plástico com exposições de pintura realizadas em todo o Brasil e ilustrador de inúmeros livros de caráter literário e científico.
PEDRO E EPITÁCIO
Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga, nasceu no dia 2 de dezembro de 1825 na cidade do Rio de Janeiro.
Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa nasceu na cidade de Umbuzeiro, Província da Paraíba do Norte , em 23 de maio de 1865.
Quarenta anos separam as idades destes dois brasileiros. Pedro era o filho mais novo do Imperador Dom Pedro I do Brasil e da Imperatriz Dona Maria Leopoldina de Áustria. Perdeu sua mãe com apenas um ano de idade. A abrupta abdicação do seu pai tornou Pedro, de Príncipe Imperial a Imperador do Brasil, com a idade de apenas cinco anos, quatro meses e cinco dias, resultando em uma infância e adolescência tristes e solitárias. Aos nove anos, ficou órfão, também, do pai.
Epitácio era filho do Tenente-Coronel José da Silva Pessoa e D. Henriqueta


NOTA: COMO O BOLETIM É MUITO EXTENSO, RESTRINGÍ-ME A ESSE PEQUENO REGISTRO.
DE OUTRA FEITA MELHOR ENUMERAR AS FOTOS
E FAZER AS LEGENDAS, ISSO PORQUE, AS FOTOS POSTADAS NÃO FICAM LEGAIS PARA REPOSTAGEM.

ABS.
L.HELENA

O VALOR DA LIBERDADE - POR CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES - ADVOGADO E ESCRITOR..


CARLOS GOMES



Sou um notívago contumaz e, por esta razão, aproveito a minha insônia com devaneios, sonhos românticos e construção de castelos. Numa destas últimas noites mal dormidas tive um pesadelo - certamente influenciado pela estória do confinamento de pessoas na novela "Salve Jorge" e pelos depoimentos que tenho presidido na Comissão da Verdade da UFRN, onde vejo a realidade de uma história passada nos "anos de chumbo", por uma plêiade de jovens idealistas potiguares, que ansiavam melhores dias para o seu povo. Nesse pesadelo, um "anjo" me apareceu e disse: é fácil ficar insone curtindo a liberdade! E quando a insônia decorre da sua falta? Refleti e vi-me de repente confinado em uma sala, sem uma explicação lógica, sem permissão de contato com a família, enfim, jogado à própria sorte. Pessoas que conhecia, de quando em vez, me avistavam e no meu desespero rogava - avisem que eu estou preso aqui, sem poder sair e sem saber os motivos desta restrição. Eles sorriam e nada providenciavam. De outra feita, os responsáveis pelo meu confinamento faziam galhofa - você não está preso, tenha paciência! No meu sonhar aflito meditava como fugir ou conseguir um contato com alguém que me socorresse naquela esdrúxula situação. Pedia, sem resultado; consegui passar um recado para uma velha tia, implorando que avisasse ao meu pai (vivo no meu sonho) e ela com um ar de indignação sem lucidez, ponderava: "preso?". Porém o que chegava aos seus ouvidos não encontrava abrigo na sua compreensão e tudo continuava no mesmo. Gastava o tempo naquele espaço procurando a fiação telefônica, pensando uma forma de violá-la para obter acesso a um telefone. Consegui, mas o aparelho era daqueles que dependiam de pedir uma linha e tudo voltava à "estaca zero". Foi então que outro "anjo" me acordou e eu senti um peso desmedido pressionando a minha cabeça. As badaladas do relógio cerebral marcavam 4 horas da madrugada e resolvi buscar papel e caneta para escrever alguma coisa, mesmo com o silêncio quebrado pelos "estalos" da geladeira, o miado de um dos meus gatos ou latido de um cão na rua. Escrevi e escrevi. Mais que isso, meditei e meditei - onde estava o pensamento Kanteano de que a liberdade é o maior bem da vida! O imperativo categórico da minha situação de insônia me colocou na cela com aqueles "meninos" que entrevistei - Geniberto Campos, Arruda Fialho, Gileno, Paulo Frassinetti, Iaperi, Rinaldo Barros, Juliano, Ives... ao lado de outros que não entrevistei - Ginani, Hélio Xavier, Maria Laly, Danilo Bessa, Berenice, Tereza Braga, Djalva Confessor ... e então pude sentir o que significa a insônia sem liberdade, sem opções imediatas, mentalizando o momento da soltura, do reencontro familiar, do retomar o caminho natural da vida. Foram amadurecidos com "carboreto", tirando do fruto o sabor de um amadurecimento natural, livre de pressão externa. Desolado, lembrei do meu tempo de universitário, na mesma época e no mesmo palco daqueles personagens, onde por questões de sobrevivência de um prematuro casamento, com o peso da paternidade e a necessidade de garantir a subsistência, fui omisso no campo das lutas sociais, embora torcesse pelo sucesso daqueles jovens idealistas. Hoje estou pagando o preço do meu silêncio, por compreender com integral lucidez a diferença da insônia com liberdade e a castração do sono no confinamento. Embora sem fazer juízo definitivo do valor das ações desenvolvidas, faço apenas a apologia do valor incondicional da liberdade. De repente, não mais que de repente, o clarão do dia nascente e o gorjeio de dezenas de passarinhos me despertaram e uma única palavra me veio à mente - DESCULPEM!

ENCONTRO COM A POESIA: LUÍS VAZ DE CAMÕES - POR HORÁCIO PAIVA - GRANDE PESQUISADOR DA LINGUA PORTUGUESA, TRAZENDO-NOS UMA DAS MAIS BELAS PEÇAS DE CAMÕES.



Sôbolos rios que vão, em Portugal me achei, num recanto renascentista, onde fora a procura de um vate genial: Luís de Camões. Para alguns, o maior, para outros um dos maiores poetas da língua portuguesa. De qualquer forma, suprema expressão do classicismo literário português. A sua epopéia, OS LUSÍADAS, alcançou significativa repercussão e notoriedade, firmando-se como uma das principais obras literárias do Renascimento europeu. Mas, observe-se: igualmente importante é a sua obra lírica, os sonetos (sobretudo), as canções, sextinas, redondilhas etc., em sua maioria, formas líricas adotadas da Escola Italiana introduzida em Portugal, anteriormente, por Sá de Miranda (1481-1558), outro grande renascentista lusitano. Não obstante a genialidade - reconhecida, pela posteridade, em toda sua extensão - não chegou, em vida, a usufruir da fama, apesar de seu livro Os Lusíadas ter sido publicado em 1572 (primeira impressão), oito anos antes de sua morte, em 1580, em Lisboa. Tal merecido reconhecimento chegou, pois, para ele, tardiamente. A sua influência, porém, faz-se sentir, através dos séculos, em autores ocidentais, nacionais e estrangeiros, independentemente de suas escolas e estilos literárias.
 A obra de Elizabeth Browning (06/03/1806-29/06/1861), por exemplo, célebre poetisa romântica inglesa do século XIX, admiradora do poeta, está impregnada dessa influência, presente em seu livro “Sonnets from the Portuguese” (“Sonetos da Portuguesa”), publicado em 1847, onde acolhe o modelo português/camoniano de soneto (dois quartetos e dois tercetos) e não o inglês (três quartetos e um dístico). Mas a sua admiração pela lírica do grande vate português segue adiante, e também notável no poema intitulado “Catarina to Camoens” (“Catarina a Camões”), que transcrevemos na nota 02 a este verbete introdutório, numa tradução de outro gênio, Fernando Pessoa. Catarina (ou Caterina) de Ataíde vivia na corte portuguesa e era dama de honra da rainha, D. Catarina de Áustria, esposa do rei D. João III. Segundo alguns biógrafos, Camões também nutria sentimentos amorosos pela infanta D. Maria, bela e culta irmã do rei, mas cautelosamente recolhidos, em virtude das diferenças sociais: Camões, da pequena nobreza, e empobrecido; D. Maria, princesa. Em sua lírica, Catarina é chamada Natércia (inversão de letras do nome Caterina, a encobrir sentimentos). Há um singular poeta brasileiro, o cearense José Albano (12/04/1882-11/07/1923) - desconhecido da maioria, e mesmo daqueles que gostam de poesia -, que não é apenas exemplo da influência de Camões na atualidade, mas seu seguidor fiel, espécie de “encarnação literária” do grande mestre. Clássico fora de época (escreve como se vivesse no século XVI, no mesmo estilo clássico/renascentista de Camões), e verdadeiro fenômeno, pelo domínio da técnica e alta qualidade de sua poesia. 
A nota 03 a esta introdução contempla um de seus sonetos, o Soneto I, cujo verso inicial traz a décima dramática e emocional: “Poeta fui e do áspero destino (...)”. Manuel Bandeira, em sua “Apresentação da Poesia Brasileira”, diz, a seu respeito: “A Albano, que era dotado de raro talento linguístico e conhecia a fundo vários idiomas modernos e antigos, não foi difícil assimilar inteiramente o ‘antigo estilo’, e o seu “Poeta fui...” nos soa em verdade como um soneto póstumo de Camões.” Várias localidades disputam o privilégio de terem sido o berço de Camões, entre elas as cidades de Coimbra e, com maior probabilidade, Lisboa. A jornalista e escritora Mirna Queiroz descreve resumidamente sua vida, na seguinte tábua cronológica: “1524 ou 1525: Datas prováveis do nascimento de Luís Vaz de Camões, talvez em Lisboa. – 1548: Desterro no Ribatejo; alista-se no Ultramar. – 1549: Embarca para Ceuta; perde o olho direito numa escaramuça contra os Mouros. – 1551: Regressa a Lisboa. – 1552: Numa briga, fere um funcionário da Cavalariça Real e é preso. – 1553: É libertado; embarca para o Oriente. – 1554: Parte de Goa em perseguição a navios mercantes mouros, sob o comando de Fernando de Meneses. – 1556: É nomeado provedor-mor em Macau; naufraga nas costas do Camboja. – 1562: É preso por dívidas não pagas; é libertado pelo vice-rei Conde de Redondo e distinguido seu protegido. – 1567: Segue para Moçambique. – 1570: Regressa a Lisboa na nau Santa Clara. – 1572: Sai a primeira edição d’Os Lusíadas. – 1579 ou 1580: Morre de peste, em Lisboa.” Conta-se que, naufragando na foz do rio Mekong (costa do Camboja, por volta de 1560), conseguiu salvar o manuscrito d’Os Lusíadas, a nado. Mas perdeu a mulher amada, uma jovem chinesa, que viajava em sua companhia. Seria, para alguns, a Dinamene que aparece em vários de seus poemas. De qualquer forma, ela lhe inspirou o mais belo e sublime soneto da língua portuguesa, o “Alma minha gentil...”, ao final reproduzido. Uma última observação, que teima em não passar em branco: Camões, que lamentava o declínio histórico da Pátria que tanto enaltecera, morre em 1580, mesmo ano da subida ao trono de Portugal do rei da Espanha, Felipe II, que passaria a governar os dois países. Portugal e suas colônias viveriam os próximos sessenta anos, até 1640, pois, sob o domínio espanhol.
 Já no final d’Os Lusíadas (Canto X, estrofe 145), despedia-se Camões, amargamente: “No mais, Musa, no mais, que a Lira tenho Destemperada e a voz enrouquecida, E não do canto, mas de ver que venho Cantar a gente surda e endurecida. O favor com que mais se acende o engenho Não no dá a pátria, não, que está metida No gosto da cobiça e na rudeza Duma austera, apagada e vil tristeza.” O cineasta português José Leitão de Barros captou bem a mobilidade “cinematográfica” da vida do poeta em seu belo filme intitulado “Camões”, que concorreu à primeira edição do Festival de Cannes, em 1946. LUÍS DE CAMÕES (n. 1524, Lisboa ou Coimbra; m. 1580, Lisboa): 

ALMA MINHA GENTIL...
 Alma minha gentil que te partiste Tão cedo desta vida, descontente, Repousa lá no Céu eternamente 
 E viva eu cá na terra sempre triste. 
 Se lá no assento etéreo, onde subiste,
 Memória desta vida se consente, 
 Não te esqueças daquele amor ardente 
 Que já nos olhos meus tão puro viste. 
 E se vires que pode merecer-te 
 Alguma cousa a dor que me ficou Da mágoa, 
sem remédio, de perder-te, Roga a Deus, que teus anos encurtou, 
 Que tão cedo de cá me leve a ver-te, 
 Quão cedo de meus olhos te levou. 

 -x-x-x-x-x-

 NOTAS: 01) Sobre o “Alma minha gentil...”, interessante confrontar esteticamente essa obra-prima de Camões com o seguinte soneto de Petrarca (o Soneto 31), com versos iniciais muito parecidos. Ei-lo no original, em italiano: SONETO DE PETRARCA (SONETO 31): Questa anima gentil che si diparte, anzi tempo chiamata a l’altra vita, se lassuso è quanto esser dê gradita, terrà del ciel la piú beata parte. S’ella riman fra ’l terzo lume et Marte,5 fia la vista del sole scolorita, poi ch’a mirar sua bellezza infinita l’anime degne intorno a lei fien sparte. Se si posasse sotto al quarto nido, ciascuna de le tre saria men bella,10 et essa sola avria la fama e ’l grido; nel quinto giro non habitrebbe ella; ma se vola piú alto, assai mi fido che con Giove sia vinta ogni altra stella. E na tradução do poeta baiano Edmílson Santos Silva Movér: Esta alma gentil que partiu, antes do tempo, chamada à outra vida, terá no céu segura acolhida terá do céu a mais beata parte. Se ela ficar entre a terceira luz e Marte, será a vista do sol descolorida depois virá, toda alma ao céu subida em torno dela olhar sua beleza infinita Se pousar abaixo do quarto ninho, nenhuma das três será mais bela, que esta só, espalhada a fama e o grito; No quinto giro não chegara ela; mas se voar mais alto, em muito confio ser vencido Júpiter e cada outra estrela.

 02) Transcrição do poema “Catarina a Camões”, de Elizabeth Barret Browning, na tradução de Fernando Pessoa: 
 Catarina a Camões Elizabeth Barret Browning Tradução de Fernando Pessoa 

I 
P'ra a porta onde não surges nem me vês 
Há muito tempo que olho já em vão.
 A esperança retira o seu talvez;
 Aproxima-se a morte, mas tu não. 
Amor, vem Fechar bem Estes olhos de que dissestes ao vê-los:
 O lindo ser dos vossos olhos belos. 

II 
Quando te ouvi cantar esse bordão 
Nos meus de primavera alegres dias;
 Todo alheio louvar tendo por vão 
Só dava ouvidos ao que tu dizias – 
Dentro em mim Dizendo assim:
 "Ditosos olhos de que disse ao vê-los: 
O lindo ser dos vossos olhos belos." 


III
 Mas tudo muda.
 Nesta tarde fria
 O sol bate na porta sem calor.
 Se estivesse aí murmuraria 
Como dantes tua voz – "amo-te, amor"; 
A morte chega 
E já cega
 Os olhos que ontem eram teus desvelos 
O lindo ser dos vossos olhos belos.

 IV 
Sim. Creio que se a vê-los te encontrasses
 Agora, ao pé do leito em que me fino,
 Ainda que a beleza lhes negasses,
 Só pelo amor que neles eu defino 
Com verdade 
E ansiedade Repetirias, meu amor, ao vê-los:
 O lindo ser dos vossos olhos belos. 

V
E se neles pusesse teu olhar
 E eles pusessem seu olhar no teu, 
Toda a luz que começa a lhes faltar
 Voltaria de pronto ao lugar seu. 
Com verdade 
 E ansiedade 
Dir-se-ia como tu disseste ao vê-los:
 O lindo ser dos vossos olhos belos. 

VI 
Mas – ai de mim! – tu não me vês senão 
Nos pensamentos teus de amante ausente,
 E sorrindo talvez, sonhando em vão, 
Trás o abanar do leque levemente; 
E, sem pensar, 
Em teu sonhar
 Iras talvez dizendo sempre ao vê-los: 
O lindo ser dos vossos olhos belos, 

VII 
Enquanto o meu espírito se debruça
 Do meu pálido corpo sucumbido, 
Ansioso de saber que falas usa
 Teu amor p'ra meu espírito ferido, 
Poeta, vem Mostrar bem 
Que amor trazem aos olhos teus desvelos 
– O lindo ser dos vossos olhos belos.

 VIII 
Ó meu poeta, ó meu profeta, 
quando Destes olhos louvaste o lindo ser, 
Pensaste acaso, enquanto ias cantando, 
Que isso já estava prestes de morrer? 
Seus olhares Deram-te ares 
De que breve podias não mais vê-los,
 O lindo ser dos vossos olhos belos. 

IX
 Ninguém responde.
 Só suave, defronte, 
No pátio a fonte canta em solidão, 
E como água no mármore da fonte, 
Do amor p'ra a morte cai meu coração. 
E é da sorte
 Que seja a morte
 E não o amor, que ganhe os teus desvelos
 – O lindo ser dos vossos olhos belos!

 X 
E tu nunca virás? 
Quando eu me for 
Onde as doçuras estão escondidas,
 E onde a tua voz, ó meu amor,
 Não me abrirá as pálpebras descidas,
 Dize, amo meu, "O amor, morreu!"
 Sob o cipreste chora os teus desvelos 
– O lindo ser dos vossos olhos belos. 

 XI 
Quando o angelus toca à oração, 
Não passarás ao pé deste convento,
Lembrando-te, a chorar, do cantochão 
Que anjos nos traziam do firmamento? 
No ardor meu Eu via o céu 
E tu: "O mundo é vil, ó meus desvelos,
 Ao lindo ser dos vossos olhos belos?" 

XII 
Devagar quando, do palácio ao pé, 
Cavalgares, como antes, suave e rente, 
E ali vires um rosto que não é
 O que vias ali antigamente, 
Dirás talvez 
"Tanta vez Me esperaste aqui, ó meus desvelos
 Ó lindo ser dos vossos olhos belos!" 

XIII 
Quando as damas da corte, arfando os peitos, 
Te disserem, olhando o gesto teu, 
"Canta-nos, poeta, aqueles versos feitos 
Àquela linda dama que morreu", 
Tremerás? Calar-te-ás? 
Ou cantarás, chorando, os teus desvelos 
– O lindo ser dos vossos olhos belos? 

XIV 
"Lindo ser de olhos belos!"
 Suaves frases
 E deliciosas quando eu as repito!
 Cem poesias outras que cantasses,
 Sempre nesta a melhor terias dito.
 Sinto-a calma Entre a minha alma 
E os rumores da terra ?
 pesadelos: – O lindo ser dos vossos olhos belos. 

XV 
Mas reza o padre junto à minha face,
E o coro está de joelhos todo em prece,
 E é forçoso que a alma minha passe 
Entre cantos de dor, e não como esse.
 Miserere P'los que fere O mundo, 
e p'ra Natércia, os teus desvelos - 
O lindo ser dos vossos olhos belos. 

XVI 
Guarda esta fita que te mando (Tirei-a dos cabelos para ti). Sentir-te-ás, quando o teu choro arda, 
 Acompanhado na tua dor por mim; 
Pois com pura Alma imperjura 
Sempre do céu te olharão teus desvelos 
- O lindo ser dos vossos olhos belos. 

XVII 
Mas agora, esta terra inda os prendendo, 
Desses olhos o brilho é inda alado... 
Amor, tu poderás encher, querendo, 
Teu futuro de todo o meu passado,
 E tornar A cantar A outra dama ideal dos teus desvelos: 
O lindo ser dos vossos olhos belos. 

XVIII 
Mas que fazeis, meus olhos, ó perjuros! 
Perjuros ao louvor que ele vos deu, 
Se esta hora mesmo vos não mostrais puros 
De lágrima que acaso vos encheu? 
Será forte 
Choro ou morte
 Se indignos os tornar de teus desvelos
 - O lindo ser dos vossos olhos belos.

 XIX
 Seu futuro encherá meu 'spírito alado 
No céu, e abençoá-lo-ei dos céus.
 Se ele vier a ser enamorado
 De olhos mais belos do que os olhos meus,
 O céu os proteja, 
Suave lhes seja
 E possa ele dizer, sincero, ao vê-los:
 - O lindo ser dos vossos olhos belos. 

02-a) O soneto de Camões que inspirou a poetisa inglesa: 

QUEM VÊ, SENHORA... 

Quem vê, Senhora, claro e manifesto 
 O lindo ser de vossos olhos belos,
 Se não perder a vista só com vê-los, 
 Já não paga o que deve a vosso gesto.

 Este me parecia preço honesto;
 Mas eu, por de vantagem merecê-los,
 Dei mais a vida e alma por querê-los, 
 Donde já me não fica mais de resto.

 Assim que a vida e alma e esperança,
 E tudo quanto tenho tudo é vosso; 
 E o proveito disso eu só o levo.

 Porque é tamanha bem-aventurança
 O dar-vos quanto tenho e quanto posso, 
 Que quanto mais vos pago, mais vos devo. 

 03) O soneto do cearense José Albano parece reportar-se ao próprio Camões, traçando o seu perfil existencial e espiritual: 

 SONETO I
 Poeta fui e do áspero destino
 Senti bem cedo a mão pesada e dura.
 Conheci mais tristeza que ventura 
 E sempre andei errante e peregrino. 

 Vivi sujeito ao doce desatino
 Que tanto engana mas tão pouco dura; 
 E inda choro o rigor da sorte escura, 
 Se nas dores passadas imagino.

 Porém, como me agora vejo isento
 Dos sonhos que sonhava noute e dia 
 E só com saudades me atormento; 

 Entendo que não tive outra alegria 
 Nem nunca outro qualquer contentamento, 
 Senão de ter cantado o que sofria.

terça-feira, 14 de maio de 2013

O SECRETÁRIO DA UBE/RN AVISA SOBRE ADIAMENTO DA REUNIÃO DA REFERIDA ENTIDADE..

MANOEL MARQUES FILHO
SECRETÁRIO DA UBE/RN


A   V  I   S   0 

 De ordem da Presidência da UBE/RN comunico que  por motivo superior, a reunião da Diretoria Executiva, agendada para às 17h do dia 16 de maio(quinta-feira), na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, fica adiada até segunda ordem.  

Natal/RN, 14 de Maio de 2013

 Manoel Marques Filho 
Secretário Geral da UBE