O trote estudantil (ou simplesmente trote) é um movimento iniciado nas mais tradicionais universidades da Europa, tendo por objetivo recepcionar os alunos calouros, mediante exigências hilariantes ou mesmo vexatórias. O Brasil, que teve sua base universitária no estilo europeu, adotou o movimento que, ao longo do tempo, tem servido a outros interesses.
No meu ingresso na UFRN, em fevereiro de 1964 (foto acima), já encontramos uma mudança para participar de um desfile pelas ruas principais da cidade, "melados" com tintas e adereços, portando cartazes alusivos a fatos políticos, críticas e protestos, seguidos de discursos. (Às vezes repelidos pela Polícia Militar).
Com o hiato no caminho democrático do período dos governos militares, o trote foi obrigado a tomar outros rumos, praticamente no âmbito interno e, quando retornamos à plenitude da abertura democrática, ocorreu deturpação visível, pois a calourada passou a ter um tratamento violento, aviltante, exigindo dos calouros uma jornada de mendicância pelas ruas, até em horários inadequados e com violência física, o que obrigou às Universidades a adotarem medidas coercitivas, oficializando a calourada de uma forma mais construtiva e severamente fiscalizada, transformando-se no chamado trote solidário, um modo mais útil e menos agressivo de recepção a novos alunos..
Costuma acontecer logo no início de um semestre ou ano letivo, pelos estudantes mais antigos, chamados de veteranos, em relação aos recém-chegados, conhecidos como calouros ou "bixos".
É preciso conciliar esse tipo de recepção, mas nunca extingui-lo, pois é sempre prazeroso ser recepcionado ao ingressar num novo momento da vida acadêmica, como forma de confraternização.
Hoje a UFRN promove a sua calourada - espera-se seja construtiva e fraterna!
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
COMUNICADO DE REUNIÃO Nº 01/2013 DA UBE/RN.
“Ninguém faz nada sozinho".
UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES DO RN - UBE/RN
Comunicado de reunião nº 01/2013
Através do presente Comunicado ficam todos os membros da Diretoria, Conselho Fiscal e Consultivo, associados, convocados para 1ª Reunião Ordinária do ano de 2013 com a seguinte
Ordem do Dia:
1. Leitura da Ata anterior
2. Planejamento das atividades do ano de 2013
Data: 07.02.2013 (quinta-feira)
Hora: 16h
Local : Academia Norte-Rio-Grandense de Letras
Local : Academia Norte-Rio-Grandense de Letras
Eduardo Gosson
Presidente
Presidente
CARTAS DE COTOVELO - 2013.13 - CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES - ESCRITOR E VERANISTA.
O ÚLTIMO LUAR
Esta é a última Carta de Cotovelo, da temporada 2013.
Se na chegada para o veraneio era só alegria e expectativa, agora me inunda a saudade de deixar o meu paraíso nesta praia acolhedora.
E somente tenho boas recordações, até pela coincidência de ter concluído com um luar sem igual, registrado pela máquina do meu filho Carlos Rosso, para deixar a lembrança de tanta beleza e a servir de paradigma para as temporadas futuras.
À noite, a razão dorme e as coisas são o que são. (Exupéry)
O período de férias de 2013 foi muito feliz, com toda a família presente e solidária. Tivemos 30 dias de sol, pouco barulho, a não ser o Circo da Folia de Pirangi, que espalha os seus abusivos decibéis por Cotovelo e embaralha o trânsito. Esperamos que com o triste caso de Santa Maria, haja mais rigor e as coisas melhorem em todos os sentidos.
A PROMOVEC, mesmo no final, deu o ar de sua graça e convoca reunião dos associados para estudar propostas para a sua reativação. Alvíssaras para 2013/2014, ano da decantada Copa do Mundo em que nossa praia poderá abrigar boa quantidade de visitantes.
Coloquei em dia as minhas leituras e escrevi as minhas Cartas, sempre relatando momentos vividos, fatos ocorridos ou fazendo a crítica das obras consultadas, num liame entre o passado e o futuro, através do presente vivenciado, com o seu indispensável lirismo saudosista.
Tive, ainda, a alegria de ver ressurgir as chananas (xananas, como preferem os poetas), que haviam sido tiradas pelo setor de limpeza pública, evidentemente por equivoco. No carnaval elas deverão estar florindo novamente.
O meu emocional quebrou a minha inspiração, pois é a hora da volta para o aconchego de Natal, retomando as muitas e graves obrigações assumidas para este ano, como sejam, dar colaboração para a renovação do nosso Instituto Histórico e Geográfico do RN, lutar pela recuperação física do casarão de Tavares de Lyra, do prédio da Rampa, da velha Faculdade de Direito da Ribeira, os encargos com a Comissão da Verdade da UFRN, com o INRG, a ALEJURN e a UBE/RN, a conclusão de dois livros, as reuniões profissionais na OAB/RN e os saraus telúricos na Confraria da Livraria Câmara Cascudo, agora um tanto desfalcada com o encantamento do nosso decano Dr. José Pinto.
Guardo desse descanso praiano muitos "dizeres e pensares", que a convivência familiar, as visitas dos parentes e amigos e os livros trouxeram.
Que bom constatar que na minha idade ainda tenha o que aprender e o direito de sonhar!
Desarmei a minha rede. Dei um olhar final em meu quarto. Tive vontade de chorar.
NÃO, lágrima atrevida, volta, pois a hora não é de adeus, mas só de um até breve.
Afinal, em todo findar existe um amanhecer!
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
CARTAS DE COTOVELO - 2013.12 - CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES - ESCRITOR E VERANISTA.
ANTOINE DE SAINT-EXUPERY
O PEQUENO PRÍNCIPE
EXUPERY
Vejam só, despertado pela polêmica sobre a passagem ou não de Exupery por Natal, dei-me ao trabalho de fazer uma releitura de alguns dos seus livros, como relatei em Carta anterior.
Fui além e li outras obras pela primeira vez, como: “Um sentido para a vida” e “Cartas ao Pequeno Príncipe”, além de um ensaio da irmã Rosa Maria: “E o céu sem limite”, Ed. Duas Cidades, São Paulo, 1959.
Num resumo da minha tarefa, retornei ao referencial maior desse piloto-escritor: “O Pequeno Príncipe” e então constatei o inusitado - buscava uma coisa e acabei encontrando outra, bem mais atrativa, porque invadindo as cercanias do espírito.
Então resolvi selecionar algumas frases e pensamentos resultantes das minhas leituras dos seus escritos e dos de outras pessoas, que podem representar um norte, uma régua ou um compasso para os caminhos a palmilhar.
DE SOLIDÃO
É uma escola para as almas magnânimas, os eternos peregrinos em marcha para a fonte da vida. (Ex)
Para as almas fortes, a solidão se torna o prelúdio da ação fecunda. (irmã RM);
Ai, a solidão vai acabar comigo! (Dolores Duran)
O HOMEM
Os homens são mesmo assim: as provações servem para lhes consolidar lentamente as virtudes.
Temem-se os fantasmas, não se temem os homens.
DE VERDADE
A verdade é aquilo que simplifica o mundo e não aquilo que cria o caos.
A verdade, para o homem, é aquilo que faz dele um homem.
DE NOSTALGIA
A nostalgia é o desejo não se sabe de que.
SOBRE A VIDA
Urge conquistar um sentido para a vida dos homens - a paz ou a guerra. Para salvar a paz basta tomar consciência desse silêncio; Na paz a vida é um círculo fechado.
Viver é nascer lentamente.
A vida sempre destrói as fórmulas feitas.
DE AMOR
Quando um acaso faz despertar em nós o amor, tudo no homem se ordenará de acordo com esse amor, e o amor traz-lhe o sentimento da extensão.
DAR E RECEBER
É preciso dar antes de receber, e construir antes de habitar.
DE DERROTA
A derrota pode vir a revelar-se como o único caminho para a ressurreição, não obstante os seus diminutos atrativos.
A NOITE
À noite, a razão dorme e as coisas são o que são.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
CARTAS DE COTOVELO - 2013.11 - CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES - ESCRITOR E VERANISTA..
A SAGA DOS ARTISTAS NORDESTINOS
No limiar do meu veraneio em Cotovelo, terminei a leitura do elucidativo livro "O Fole Roncou", de autoria dos jornalistas Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues, Ed. ZAHAR do Rio de \janeiro, 2012.
Até então tinha noção da trajetória individual de alguns artistas nordestinos, os mais famosos, a partir do Rei do Baião, LUIZ GONZAGA, cujo centenário de nascimento foi comemorado no ano que findou, mas ignorava a verdadeira saga de muitos deles, em especial, da verdadeira corrente de solidariedade que possibilitou, após sacrifícios e sofrimentos, a divulgação para o eixo Rio-São Paulo, o valor e a fibra do nordestino, que justifica o adágio: "o nordestino, antes de tudo, é um forte".
A obra começa narrando a viagem de Câmara Cascudo às entranhas do Rio Grande do Norte, percorrendo 1.370 quilômetros de estrada de ferro, e outros tantos usando transportes os mais diversificados, desde o automóvel, canoa, rebocador até hidro-avião, para constatar que o sertão se esvaía. Tinha então 41 anos e lá se iam os idos de 1934.
Anotou a construção de açudes, o sofrer do homem rural, a insegurança ainda remanescente do "cangaceirismo", enfim, os seus dramas, seus anseios e potencialidades, que foram divididas em dezessete crônicas publicas em A República e depois condensadas no livro "Viajando o sertão".
Dentre os temas desenvolvidos não esquece o estudo de suas danças de antigamente e as estórias transmitidas pelos cantadores e as transformações de costumes ditadas pelo progresso.
Partido dessas constatações começa a história de um novo tempo, entre os períodos de 1920 a 1930 com Seu Januário nos forrós das cidades pernambucanas, então acompanhado pelo jovem Luiz Gonzaga, que aprendeu essa habilidade, passando a ser sanfoneiro afamado, eis que confundido com os cabras de \lampião, pois usava vestimentas semelhantes.
Na verdade, suas vestes tinham a intenção de evidenciar as tradições do sertanejo e homenagear sua bravura, o foi sendo assimilado até ganhar o título de "Rei do Baião".
Em 1950 já era nome respeitado e a disseminação do xaxado e depois o baião, gênero musical que surgiu no Brasil, nas composições de Gonzaga e dos seus grandes parceiros Humberto Teixeira (advogado) e Zé Dantas (médico).
O nordeste estava sendo "sanfonizado", criando escola para dezenas de outros grandes instrumentistas, sem desprezar o velho fole de oito baixos: "Luiz respeita Januário"!
Os primeiros ensaios de sucesso foram surgindo: Penerô Xerém, Cortando Pano, Xamego, Dezessete e setecentos, culminando com as antologias No meu pé de serra, juazeiro, Baião, Qui nem jiló, Assum preto, Baião de dois e Mangaratiba, até o apogeu da monumental Asa Branca.
Vencendo a resistência dos paulistas e cariocas, o consagrado Gonzaga passa a recepcionar outros artistas imigrantes, dando-lhes abrigo de teto, comida e colocação nas emissoras e gravadoras. Nessa levam contabilizam-se Marinês (Rainha do xaxado), Abdias e Cacau, a chamada Patrulha de Choque de Luiz Gonzaga, que veio a criar fama com "Marinês e sua Gente". Seguem-se Zito Borborema e Miudinho.
Paralelamente chega ao Rio o jovem José Gomes Filho (Jackson do Pandeiro) que, vencedor em sua carreira adota o mesmo propósito de Gonzaga, dando guarida aos novos conterrâneos Almira Castilho, Zé Calixto, Antonio Barros, Genival Lacerda, João do Vale, o compositor Onildo Almeida e tantos outros.
O livro é meticuloso e esclarecedor, mostrando os problemas emergentes de cada década, com a incrível transformação de costumes, de ritmos e de instrumentos, o forrock, forró universitário, gênero sertanejo, numa mistura que, no entanto, não destruiu o tradicional, haja vista o surgimento de novos sanfoneiros e cantores nordestinos, com destaque para Dominguinhos e Anastácia, Alceu Valença, Elba e Zé Ramalho. Desse tempo temos ainda Fagner, Quinteto Violado, Sivuca, Amelinha, Morais Moreira, Waldick Soriano.
As mudanças e os amantes de outros gêneros não ofuscaram o xaxado e o baião, pois houve compreensão e apoio da jovem guarda - Roberto Carlos, Erasmo, Wanderléia, os tropicalistas Caetano, Gal, Gil e Betânia.
Surgem os programas específicos de apresentadores de Televisão ou criadores de programas ao vivo, como "O forró de Zé Lagoa", de Rosil Cavalcanti, Aberlardo Barbosa (Chacrinha), Chico Anysio e outros mais, que deu emprego a muitos imigrantes.
A solidariedade sempre esteve presente entre os nordestinos, mas ganhou espaço entre artistas de outros gêneros, como Antonio Carlos Jobim: Se eu fosse editor, ia buscar no Nordeste: as coisas mais geniais do mundo estão lá., Vinicius de Morais, Angela Maria, do apresentador.
O Rio Grande do Norte esteve presente nessa corrente através dos meninos do Trio Irakitan (Edinho, João e Gilvan), Elino Julião, Trio Mossoró (Oséas, Hermelinda e João Batista), e até de um médico-compositor potiguar Janduhy Finizola, que consagrou a "Missa do Vaqueiro", em homenagem a Raimundo Jacó, primo de Gonzaga, pelo menos.
Muitos empecilhos à normalidade dos nordestinos aconteceram com os festivais da Televisão, mas outros tantos também vieram em alento, como o Projeto Pixinguinha e outros semelhantes.
Hoje vivemos a moda das casas de show, onde o forró se faz presente, fora dos discos, mas criando o interesse de divertimento e com isso garantindo a sobrevivência, dando ensejo às bandas Mastruz com Leite, Calcinha Preta, Aviões do Forró, Cavaleiros do Forró, Garota Safada, etc.
Prolifera a "apelações", com letras de duplo sentido,
Mesmo diante de sucessivas crises, certamente a música nordestina nunca será esquecida, mercê dos velhos artistas que ainda estão na estrada e novos nomes, como Oswaldinho, Waldonys. Chico Cesar, Jorge de Altinho, Dorgival Dantas, Genário e outros mais.
Sei que esqueci muitos outros nomes. Perdoem, mas o importante é ler o livro!
O fole nunca mais deixou de roncar!
"Porque o que se leva dessa vida, coração, é o amor que a gente tem pra dar."
(Antonio Barros e Cecéu, consagração na voz de Marinês)
domingo, 27 de janeiro de 2013
A CONFRARIA DA LIVRARIA CÂMARA CASCUDO PERDE O SEU DECANO - POR CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES - ESCRITOR E VERANISTA.
No final do ano que passou escrevi uma série de artigos sobre a morte das livrarias, narrando a sua importância, não apenas para difundir as obras dos escritores, mas por dar guarida a intelectuais que a elas se agregam ao longo dos anos. No segundo artigo, denominado MORRE OUTRA LIVRARIA (Parte II), fiz a narrativa da nossa trajetória, nos termos seguintes: "Não durou muito tempo e fomos convidados por Marconi Macedo, gerente da Livraria Câmara Cascudo e que trabalhara na Universitária e na Potylivros, para continuarmos em nossos encontros num terceiro grupo, com os mesmos Inácio, Bob, Gilvan, Carlos Gomes, Manoel Onofre Junior, Palocha, Manoel Moura, Soares, José Maria, acrescido agora de Manoel Sergio(Juiz), Dr. José Pinto, Pedro Vicente, Edson Gutemberg, Racine Santos, Francisco de Paula Medeiros(Alma de Vaqueiro), o oriental Satoro e, esporadicamente, Volonté, Homero, Ney Leandro de Castro, Antônio Capistrano, Wandyr Villar, Tarcísio Gurgel e outros." Hoje, com pesar, registramos que o nosso confrade DR. JOSÉ PINTO partiu para outra dimensão da vida. Homem bom, ameno, apesar da sua idade vetusta, participava das brincadeiras da turma, que o apontava como possuidor de terras com petróleo e ele, com um sorriso largo, retrucava que dinheiro ganhava o Desembargador Manoel Onofre e tudo terminava em boas risadas. Esteja certo, querido amigo, que a sua presença será sempre registrada em nossas tertúlias. Você não levará falta, pois está justificada a sua partida. Fique agora com Deus e participe da confraria dos que se foram antes, como o Clube dos Inocentes, tendo à frente Cascudinho e Professor Saturnino. Nós nos veremos em breve.
sábado, 26 de janeiro de 2013
CARTAS DE COTOVELO – 2013.8 - POR CARLOS ROBERTO DE MITRANDA GOMES - ESCRITOR E VERANISTA.
APOLOGIA DA PREGUIÇA
A preguiça, segundo os léxicos, é um estado de inação que inibe a apetência para o trabalho.
Na conceituação dada pelo costume, é um torpor que reduz a atividade laborativa.
Pode até ter todos esses significados e ser algo não condizente com o normal.
Contudo, quando se está num veraneio, diria que a preguiça vira um estado de graça para o corpo cansado de guerra a merecer uma justa reparação, indiscutivelmente prazerosa e bemfaseja.
Assim diz um poeta, que Odúlio Botelho colheu o nome através de Gilson Barbosa, sobrinho do grande Gil Barbosa, como sendo VERÍSSIMO DE MÉLO:
Coisa boa é querer bem
Ter alguém, namorar.
Coisa boa é um xodó,
um fobó, vadiar.
Coisa boa é o mar e o luar,
É caju com pitu,
Cafuné, cochilar.
.......
Esses versos são um prelúdio à preguiça, sobretudo em sua estrofe final:
Coisa boa que se diz e que se faz
Na hora que a gente quer.
Coisa boa é uma casa,
Numa praia, num alpendre,
Uma rede e uma mulher.
A lembrança me trouxe essas coisas e, preguiçosamente resolvi anotar em um caderno, pois após um bom churrasco e a brisa que sopra do mar não permitem que demore muito fora do ventre da minha rede.
Aaahhaaarrr ..... coisa boa é ......
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