terça-feira, 6 de janeiro de 2015

CARTAS DE COTOVELO 01 (versão 2015) - POR CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES.


No primeiro dia do novo ano, sob a égide da Paz, assistimos em Cotovelo, e com boa imagem, as solenidades de posse e assunção dos nossos novos governantes, nos planos federal e do Estado do Rio Grande do Norte (este, complementado já no retorno a Natal). Enfocando a esfera federal, a Presidenta Dilma Roussef não foi feliz em seu discurso, desprovido de novidades, porém proclamando sua meta prioritária – a educação e, num momento posterior, a segurança, para o que deverá usar dos meios que permitam alteração constitucional, para induzir a otimização da segurança e da Democracia. A impressão que ficou foi a de a continuidade, senão com o indispensável ajuste nas finanças, sem o que o Brasil não sairá das dificuldades com que terminou 2014. Voltando as vistas para o plano do Estado do Rio Grande do Norte, a efetuar conceitos pelos termos do forte discurso do Governador Robinson Faria, tirante a divagação crítica do ranço que persiste da última campanha eleitoral, foi muito claro no ataque, sem especificar prioridades, na trilogia Educação, Saúde e Segurança, argumentando que os problemas são tantos e tão graves que não permite a escolha, devendo agir nos três segmentos com a mesma urgência. Em seu discurso, não descurou da necessidade de parcerias para ações sociais e culturais, acenando para a UFRN e classes empresariais, num direcionamento técnico, mas sob uma condução ditada pela vontade política consistente. Assumiu o compromisso de tudo fazer em favor da recuperação dos homem decaído pela contingência das drogas e não esqueceu de dar esperanças aos servidores públicos, atendendo as suas reivindicações na medida do possível, mediante uma postura de eficiência e combate à burocracia desnecessária. Na visão de veranista e membro da comunidade praiana, encontramos um visível trabalho de remoção dos múltiplos entulhos decorrentes das costumeiras reformas ou construções que antecederam o período de veraneio, fatos que se repetem anualmente para a conservação e comodidade do setor imobiliário. Continuam sem definição dois aspectos fundamentais para a qualidade de vida dos caiçaras e veranistas: a conclusão do sistema de saneamento básico que se arrasta num período de quatro administrações; o outro é a necessidade de construção de uma estrada definitiva que solucione o gargalo que impede acesso razoável às praias do cone sul, o que tem motivado a redução da acorrência a essas estâncias, quebrando uma tradição quase secular.

A LITERATURA, A VENDA DO LIVRO E A LEITURA NO BRASIL EM 2014 - AUTORIA DE FRANCISCO ALVES DA COSTA SOBRINHO.

     Somando-se os totais de vendas dos dez livros mais vendidos no Brasil no passado ano de 2014, teremos o total de 2 911 011 (dois milhões e novecentos e onze mil e onze unidades), número esse ainda insignificante, se considerarmos o nosso contingente potencial de leitura. Mas, imagina isso: a literatura brasileira não comparece na lista desse ranking e os nossos escritores estão ‘quase’ ausentes, ‘salvos’ pelas presenças de uma mineirinha de 23 anos, Isabela Freitas (Livro: Não se apegue, não!), fenômeno de vendas logo no seu primeiro livro (espécie de auto-ajuda juvenil), e, pasmem mais uma vez: pela participação do pastor Edir Macedo, com o seu livro “O Planeta”, secundados pelo psicoterapeuta paulista Augusto Cury, com o livro “Ansiedade: Como Enfrentar o Mal do Século”. Outra coisa impressionante (ainda me impressiono com isso), é a triste constatação de que o pastor Edir Macedo, com o livro “O Planeta”, lidera a lista com 752.973 exemplares vendidos, seguido pelo norte-americano John Green, o qual conquistou as três seguintes posições nessa lista: 2º. Lugar, com o livro “A culpa é das estrelas” (Intrínseca): 639.502 exemplares vendidos; 5º. Lugar, com o livro “Quem é Você, Alasca?” (WMF Martins Fontes): 161.954 exemplares; 7º. Lugar, com o livro “Cidades de Papel” (Intrínseca): 143.404 exemplares vendidos. Com esse desempenho, John Green foi o escritor que mais vendeu livros no Brasil no ano de 2014, ou seja: vendeu 944.860 (novecentos e quarenta e quatro mil e oitocentos e sessenta exemplares). Dessa maneira, a lista dos 10 livros mais vendidos no Brasil em 2014 é complementada com os seguintes autores e livros: 3º. Lugar: Livro “Ansiedade: Como Enfrentar o Mal do Século” (Saraiva), de Augusto Cury; 346.543 exemplares vendidos; 4º. Lugar: Livro “Destrua Este Diário (Intrínseca), de Keri Smith; 332940 exemplares; 6º. Lugar: Livro “Se eu Ficar (Novo Conceito), de Gayle Forman; 158.189 exemplares; 8º. Lugar: Livro “Não se Apega, Não (Intrínseca), de Isabela Freitas; 130.054 exemplares vendidos; 9º. Lugar: Livro “O Pequeno Príncipe (Agir), de Antoine Saint-Exupéry; 123.576 exemplares; 10º. Lugar: Livro “A Menina que Roubava Livros (Intrínseca), de Markus Zusak; 121.876 exemplares.

TRÊS ANOS DA PARTIDA DE ENÉLIO - POR CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES.




 
ENÉLIO LIMA PETROVICH

 Foi um baque a triste notícia, em pleno dia dos Reis Magos. Enélio Lima Petrovich, o guardião do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte por 48 anos encantou-se naquela data de 2012. A cidade, nesse período, tem uma debandada para viagens e para o veraneio. Mas logo os amigos foram retornando a Natal e o velório aconteceu no próprio Instituto, deixando saudosos os seus familiares e amigos, que estiveram presentes na solenidade fúnebre. Os jornais do dia seguinte noticiaram o acontecimento, com destaque, correspondendo à importância daquele tão festejado intelectual, cuja característica marcante era o de sempre se fazer presente a todas as solenidades comemorativas da cultura e da história potiguar.
 Yuno Silva e Tádzio França - repórteres da Tribunal do Norte escreveram: A clássica “Royal Cinema”, composição do potiguar Tonheca Dantas, anunciou aos amigos e familiares que era chegada a hora do derradeiro adeus a Enélio Lima Petrovich, nome que entra para a história como o mais longevo dos gestores à frente de uma instituição pública no Estado. Lembrado por sua dedicação à preservação de documentos e registros históricos que guardam a memória social, cultural e política do RN, Petrovich fez questão de deixar escrito de próprio punho seu último pedido na contra-capa de um CD: “Para meu velório no salão nobre do IHG/RN. E quando? Só Deus sabe...” Alex Régis Morre o advogado e escritor Enélio Lima Petrovich. Ele esteve à frente, por quase cinco décadas, da mais antiga entidade do Estado, o Instituto Histórico e geográficoMorre o advogado e escritor Enélio Lima Petrovich. Ele esteve à frente, por quase cinco décadas, da mais antiga entidade do Estado, o Instituto Histórico e geográfico Rodrigo Sena O velório na sede do Instituto Histórico foi um dos pedidos dele. O velório na sede do Instituto Histórico foi um dos pedidos dele. Mais uma vez estamos em pleno veraneio e voltamos nossas lembranças àquele querido amigo, que certamente será motivo de muitas orações em sufrágio de sua alma. O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, a partir do seu falecimento, voltou-se para realizar aqueles sonhos de que tanto falava - a recuperação do rico acervo, que já tem projeto para sua recuperação, digitalização e colocação em forma de mídia eletrônica para a preservação dos originais, conforme a meta prioritária do Presidente Valério Mesquita.  

ENÉLIO LIMA PETROVICH: TRÊS ANOS DE SAUDADES - POR EDUARDO ANTÔNIO GOSSON



ENÉLIO LIMA PETROVICH

ENÉLIO LIMA PETROVICH: TRÊS ANOS DE SAUDADES
 Por Eduardo Gosson(*)

 Hoje, no calendário Católico, dia 6 de Janeiro, faz três anos que o amigo embarcou na Nau da Eternidade, trocando esta vida (falsa e provisória) pela outra (verdadeira e definitiva) deixando o Rio Grande do Norte mais pobre. Enélio tinha inimigos declarados e sobretudo ocultos (mais perigosos) porque nos pega de tocai sem que possamos nos defender. Era acusado de ser um caudilho, porque passara 48 anos no cargo de presidente da instituição mais antiga do Estado, berço de grandes intelectuais. Ora, o caudilhismo é um problema do Brasil e da América Latina, fruto do pouco exercício da Democracia. Além do mais, para dar vida a essas instituições é preciso de Comandantes fortes para manter a chama acesa. Fidel Castro, Luís Carlos Preste, Diógenes da Cunha Lima e Enélio Petrovich, só para citar alguns dirigentes políticos e culturais, se encaixa naquela frase célebre do filósofo Ortega y Gasset: “eu sou eu e as minhas circunstâncias”. Na verdade, numa sociedade onde tudo vira mercadoria, e cada um tem seu preço, NINGUÉM trabalha sem remuneração. Todos querem fama e dinheiro. Enélio amava os livros porque sabia que semear Educação e Cultura é o caminho para uma vida melhor. A advocacia previdenciária que exerceu por cinquenta anos era o seu ganha-pão (continuada por seu filho Enélio); mas a menina dos seus olhos era o Instituto Histórico e Geográfico do RN – IHGRN. Ia todos os dias. Era auxiliado por Lúcia e Antonieta, funcionárias exemplares e na parte intelectual pelo Amigo e Historiador Olavo de Medeiros Filho que chegava às 6h da manhã para consultar livros e documentos, produzindo uma obra significativa de mais de vinte livros. Às 9h encerrava as suas pesquisas e se tornava Relações Públicas, ajudando e orientando os que iam pesquisar. Se a sua gestão não avançou na área da Informática, não importa. Essa questão está sendo resolvida pelos atuais dirigentes, que formam uma Diretoria de Notáveis. Em convênio com a UFRN todo o acervo será digitalizado e jogado em rede na INTERNET. Para encerrar cito o Mestre Cascudo: “a morte existe; os mortos, não”. Por sua vez afirmou o Sub-Comandante Marco “Morrer não dói, o que dói é o esquecimento”. Mestre, você viverá para sempre em nossos corações!

 (*) Poeta e Historiador presidiu a UBE-RN (2008-2013) e atualmente é Tesoureiro do IHGRN (2014-2016).

AO MESTRE COM SAUDADES - POR LÚCIA HELENA PEREIRA.




AO MESTRE COM SAUDADES.

 OS CANÁRIOS DA RUA NASCIMENTO DE CASTRO, LOGO ÀS 4:48 DESTE DIA 06 DE JANEIRO, ORQUESTRARAM O AMANHECER. SABERIAM ELES QUE HOJE É DIA DE REIS, COM FERIADO EM NATAL? 
COM CERTEZA. HÁ TRÊS ANOS A LITERATURA, A HISTÓRIA E A MEMÓRIA DO RN FICARAM ÓRFÃS COM A MORTE DO MEMORÁVEL PRESIDENTE DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN - ENÉLIO LIMA PETROVICH. 
CANTANDO, ESSAS LINDAS ASAS DE DEUS FIZERAM A HOMENAGEM ESPECIAL A QUEM AMOU A MÚSICA, A POESIA, OS LIVROS. VOU MAIS LONGE. AO BOM ARAUTO DAS NOTÍCIAS LITERÁRIAS. AO PÁSSARO DE CANTO CANORO E RARO CANTANDO CANÇÕES DE OUTRAS PLAGAS. 
AQUI ESTOU, COM A MINHA SAUDADE, MINHA GRATIDÃO, MINHA ETERNA ADMIRAÇÃO E BEM QUERER A UM HOMEM BOM, DE PRINCÍPIOS HONESTOS, DE MUITA SIMPLICIDADE E RESPEITO À CONDIÇÃO HUMANA DE CADA UM.
 PENSO EM MIRIAM, NOS MENINOS: ENÉLIO FILHO, LIRIAM, CELHINHO E NOS NETOS QUE ELE TANTO AMAVA. AQUI, A SAUDADE QUE SE MISTIFICA, COMO UM PRESENTE BOM, PELAS MÃOS DOS TRÊS REIS MAGOS.
 NÃO FAÇO AQUI, NESTE ESPAÇO, NENHUMA DEMONSTRAÇÃO EPISTOLAR DE VULTO, É O MEU CORAÇÃO DEBRUÇANDO-SE SOBRE OS MUROS DO TEMPO, NA LOUVAÇÃO A UM EXEMPLO DE MESTRE, A QUEM DEDIQUEI A MINHA ADMIRAÇÃO,O MEU AFETO E A HONRA DE TÊ-LO CONHECIDO. GLÓRIA A DEUS!

 LUCIA HELENA PEREIRA

ENÉLIO PETROVICH - O GUARDIÃO DA HISTÓRIA DOS POTIGUARES. POR JANIA SOUZA.



ENÉLIO LIMA PETROVICH

Enélio Petrovich,
 O Guardião da História dos Potiguares
 Por Jania Souza

 Hoje, Dia de Reis. Reis visionários. Astrólogos, astrônomos. Ao certo, relata-se que previram a conexão astral do nascimento do Messias e correram para reverenciá-lo e aclamá-lo como o Filho da Luz. Suas Majestades terrenas Gaspar, Belchior e Baltazar tomaram seus camelos, escravos, mercadorias e presentes; atravessaram os desertos, muitos por aquelas bandas. Então seguiram o brilho da magnífica estrela, Estrela Guia, até as cercanias da manjedoura em Belém. Cidade suave, até refrescante, encravada sobre as montanhas e o sol. Em suas buscas, os Reis Magos, por suas qualidades científicas e de magia, depararam-se com o rei dos judeus, à época, o orgulhoso e também tirano, embora servo de Roma, Herodes. Muda-se a época, perpetuam-se os fatos similares. Esse quis ludibriar os visitantes, interessado em sumir com a sagrada criança. Contudo, a profecia foi preservada e o Menino Divino em seu leito de nascituro foi adorado, reverenciado e exaltado com os presentes dos emissários da verdade. Recebeu ouro, incenso e mirra. E o mundo foi possuído pelo amor da redenção através da salvação. Nos velhos novos livros, há esse registro. Entre livros viveu Dr. Enélio Petrovich. Homem sábio, doutor. Escritor e incentivador da preservação da memória do seu povo. Orgulhava-se com ternura de realizar seu ofício, guardião da história dos potiguares. Em vida, não conseguiu se desapegar dos livros, das páginas encardidas dos pergaminhos e dos papiros. Mapas, cartas, contos, atas, relatórios, contas, histórias, romances, palavras. Palavras escritas com os símbolos das letras, dos vocábulos, da fonética oriunda de línguas diversas de povos vários de tradições e nações controversas. Tudo misturado na transformação do novo povo que surgiu. O povo brasileiro habitante da esquina das Américas. Doutor Enélio, a nação potiguar papa-jerimum só tem a agradecer sua passagem por esses lados. Lados às vezes tão dispersos, tão separados. Com carinho, zelo e amor à história do seu povo legaste a vontade de contribuir, de trabalhar, de realizar, de unir, de reunir e de preservar o acervo material e imaterial da cultura do Rio Grande do Norte. Exemplo que muitos seguiram ao darem-se as mãos e prosseguirem na administração do Instituto Histórico Geográfico, patrimônio de todos, que deve seguir forte e estruturado para dar testemunho às novas gerações. Amigo, siga em paz, pois lutaste o bom combate e semeaste a boa palavra em sua passagem como um presente dos Reis.

 Jania Souza http://www.janiasouzaspvarncultural.blogspot.com http://www.spvarn-culturageral.blogspot,com http://www.apperj.com.br, Delegada Regional da APPERJ http://www.blocosonline.com.br http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=1905

domingo, 4 de janeiro de 2015

O PADRE VISIONÁRIO QUE APRIMOROU SUA CIDADE - POR TOMISLAV R. FEMINICK.




TOMISLAV R. FEMINICK



O padre visionário que aprimorou sua cidade Tomislav R. Femenick – Historiador, membro da diretoria do IHGRN. 

 O Padre Mota foi prefeito de Mossoró em três condições diferentes, porém contínuas. Na primeira fase (de 19.01.1936 a 07.09.1937), ele assumiu o cargo de Prefeito Provisório, atendendo a um pedido de Rafael Fernandes Gurjão, então interventor do Rio Grande do Norte; a segunda fase, a de Prefeito Eleito pelo voto popular (de 07.09.1937 a 30.12.1039), foi interrompida pelo golpe getulista que criou o Estado Novo; e o terceiro período, o de Prefeito Nomeado (de 30.12.1937 a 03.04.1945), até quando renunciou. Luiz Ferreira da Mota nasceu no dia 16.04.1897, em Mossoró, onde estudou no Colégio Diocesano Santa Luzia e no Grupo Escolar Trinta de Setembro. Depois foi aluno do Colégio Santo Antonio, em Natal, e do Colégio Salesiano, no Recife. Matriculou-se no Seminário da Paraíba, mas sua meta era ir para o Colégio Pio Latino-Americano, em Roma. No entanto havia um obstáculo: lá todas as aulas eram em latim. Em dois meses aprendeu o suficientemente para atender essa necessidade e, com apenas 17 anos, embarcou rumo à Itália. Lá foi ordenado padre. Depois de quase nove anos, desembarcou no Rio de Janeiro, no dia 07.09.1922, data em que o Brasil comemorava o centenário de sua independência. Os recursos Quando Padre Mota tomou posse, as finanças da Prefeitura estavam totalmente desorganizadas. O orçamento era uma peça de ficção, sem qualquer compromisso com a realidade. As despesas eram medidas com um grau de incerteza absoluta, e as receitas tomadas com base nas “visões” do governante da ocasião. Na fase de execução, tudo era pior. Como o orçamento não existia concretamente, o Padre Mota tomou uma medida radical: somente fazer qualquer gasto, se houver “dinheiro no cofre”, e depois de pagar aos funcionários da Prefeitura. Em 1936 a Prefeitura arrecadou 442,4 contos; em 1945, no fim de sua gestão, mais de dois mil contos de reis. O Funcionalismo Antes do Padre Mota assumir a Prefeitura de Mossoró, os funcionários eram escolhidos por parentesco ou por ligações pessoais, sem levar em conta os conceitos de capacidade e eficiência no trabalho. Muitos lá estavam simplesmente por ocupar “seus” cargos há muito tempo. Havia, também, os simplesmente ineficientes, por incapacidade ou omissão. Por outro lado, todos ganhavam pouco e estavam com os salários atrasados; muitos funcionários não recebiam há mais de seis meses. O novo prefeito resolveu essa situação do seu jeito, sem causar traumas, porém sem transigir. Conseguiu que muitos se demitissem por iniciativa própria e outros foram afastados. Somente permaneceram aqueles necessários à Prefeitura. Com esse corte, deu para aumentar os salários e colocar a folha em dia. A Luta pela Água Em 1810 um visitante inglês, Henry Koster, já registrava em seu diário de viagem a existência de um rio seco onde estava a localidade chamada de “Santa Luiza”. Anotou que uma casa de fazenda estava abandonada porque a falta d’água teria desiludido seu proprietário, pois a que se obtinha era completamente salobra. Passaram-se quase cem anos, e só em 1908 é que foi construída a primeira barragem de pedra e cimento. Nos anos seguintes, se iniciaram as escavações de poços com a utilização de maquinas. Ainda no começo do século passado, por iniciativa dos moradores foi criada a Cia. de Água de Mossoró, que perfurou alguns poços de pequena profundidade, construiu reservatórios e estendeu uma pequena rede de distribuição. Todavia, o empreendimento não obteve êxito, pois a água era incerta e ruim. Quando Padre Mota assumiu a Prefeitura de Mossoró, a empresa de água já tinha sido dissolvida. Existiam apenas alguns poços, poucos chafarizes (alguns construídos há mais de 50 anos), algumas cacimbas, bolandeiras e carroças-pipas que transportavam água do rio para as residenciais e estabelecimentos comerciais, sem nenhum tratamento. Mesmo sem contar com garantia de recursos para a execução, em 1940 o Padre Mota mandou iniciar os estudos para as obras de construção e aparelhamento de uma estação de captação de água, assentamento de rede de distribuição pública, bem como da rede de captação de esgotos, construção de uma estação de tratamento e formação de uma lagoa de decantação. O projeto foi realizado pelo engenheiro Pedro Ciarlini, sem custos para a Municipalidade, a não ser o seu “trabalho de prancheta”. Esse trabalho serviu de base para o Serviço de Água de Mossoró. Em 1943, o novo interventor do Estado deu andamento aos planos do prefeito Luiz Mota. Dois anos depois, Estado e Município assinaram com o Escritório Saturnino Brito, do Rio de Janeiro, contrato para elaboração do projeto definitivo de abastecimento de água e coleta de esgotos da cidade. Urbanização da Cidade Recém-nomeado prefeito, às cinco horas da manhã do dia 20.01.1936 o Padre Mota percorreu a cidade que iria governar. Poucas eram as ruas pavimentadas com pedras calcárias irregulares. A poeira cobria as fachadas das casas com uma camada acinzentada. As águas do rio corriam livremente e adentravam pelo perímetro urbano. Quando o sol estava mais alto, um mormaço começou a se levantar do chão seco das ruas limpas de árvores. Havia poucas plantas em algumas praças, mas eram raquíticas e de pequeno porte. Por toda parte, sujeira e lixo. Uma das suas primeiras providências foi solicitar ao interventor do Estado a presença urgente de um engenheiro em Mossoró, sem dizer o motivo. Uma semana depois, o padre refez o mesmo itinerário daquela outra manhã, dessa vez acompanhado do engenheiro vindo da capital, “um rapazinho novo, quase sem pelos no rosto”. Expôs suas ideias: canalização do rio aqui, uma ponte ali, calçamento acolá e, assim, foi desfiando o seu rosário de obras. O engenheiro recém-formado ficou meio sem jeito, mas perguntou aonde o padre-prefeito iria arranjar tanto dinheiro para fazer tantas coisas. O padre simplesmente riu. Em 1936, Mossoró tinha somente quatro ruas calçadas. Em 1940, já eram 14, “sem que sejam incluídas várias travessas”. Em sua gestão, foi construída a ponte Jerônimo Rosado, foram assentados quase 50.000 metros quadrados de calçamento e mais de 6.500 metros de meio-fio. Foram construídos cinco jardins e reconstruídos outros dois, o rio Mossoró foi canalizado na área central da cidade, com a construção de 643 metros de balaustradas na margem esquerda, dotadas de 41 postes de iluminação pública. Sua ideia era que ali fossem instalados hotéis, restaurantes e outros estabelecimentos do gênero, transformando essa arborizada e larga avenida em um verdadeiro boulevar. Ecologia e Estética Urbana Nos anos trinta, nem a palavra ecologia nem a percepção desse conceito eram de conhecimento comum, mas Luiz Ferreira Cunha da Mota também não era um nordestino comum. As suas preocupações para com as coisas da natureza e do ser humano o levaram, quando jovem, a pensar em se formar em Agronomia, antes de querer ser sacerdote. Segundo Vingt-un Rosado, foi a junção dessas duas características – o apego à estética e o horror às feiuras físicas e intelectuais – que levaram o Padre-Prefeito a encher as ruas, praças e avenidas de Mossoró com árvores de Fícus Benjamim. As mudas eram plantadas em terra adubada, eram protegidas por engradados e, caso vingassem, os donos dos imóveis em frente aos quais elas tinham sido plantadas recebia um desconto no imposto predial. Entre 1936 e 1940, Padre Mota mandou plantar mil árvores; de 1941 a 1945, mais 500. As mudas que não cresciam por qualquer motivo eram substituídas por novas. Sempre havia 1.500 pés de Fícus Benjamim. A grande copa de folha verde escuro amenizava o calor irradiado do sol, que a cidade recebe constantemente. As ruas, agora pavimentadas, já não permitiam que o vento nordeste levantasse a poeira do chão e desse uma cor de cinza às fachadas das residências e casas comerciais. A cidade ficou mais acolhedora e humana. Mesmo nos períodos de secas, o verde da fronde dos fícus permanecia e se destacava do imenso pardavasco em que a região se transformava. O Ensino Quando Padre Mota assumiu o cargo de prefeito, em Mossoró existiam 42 escolas administradas pelo Município. Querendo se inteirar da situação, mandou fazer um levantamento das condições e das necessidades de cada uma delas. O resultado foi um retrato desolador. Em algumas mal cabiam cinco crianças, em outras, os mestres não tinham condições de ensinar, pois eles mesmos careciam dos conhecimentos mais elementares. Em todas havia carência de material escolar. Ele mesmo redigiu o que chamava de “Modelo Educativo para as Escolas Públicas do Primeiro Ensino”, com algumas ideias básicas sobre o assunto. Considerava que a escola pública (como meio de instrução do povo) deveria ser voltada para três fatores que se inter-relacionariam. O ensino e a aprendizagem seriam dois deles. A formação do cidadão, o outro, deveria ser o conjunto dos conhecimentos adquiridos na escola. Novas escolas foram abertas, houve substituição de professores, transferências das aulas para salões paroquiais, igrejas, capelas e até para templos protestantes, bem como aquisições de quadros, giz, livros, cadernos, lápis e outros materiais escolares. Em todas houve reformulação das matérias ensinadas, incluindo-se algumas voltadas para a realidade local, como formação de hortas, higiene, comportamento cívico etc. Em menos de dez anos, o número de alunos mais que dobrou. Durante o seu período de governo, foram criadas doze novas escolas municipais. Todas bem aparelhadas e com professores habilitados. 

 Tribuna do Norte. Natal, 04 jan. 2015